quinta-feira, 21 de maio de 2026

 

 O silêncio que cura


Tem diferença entre calar porque não tem o que dizer e calar porque já entendeu o suficiente.

Nem tudo que pensamos precisa sair pela boca. Isso não é fraqueza. Não é falta de caráter. É maturidade. Porque até palavras certas, ditas na hora errada, machucam. E até verdades justas, quando lançadas no calor da raiva, podem destruir.

Jesus foi acusado de loucura, de blasfêmia, de traição. Em muitos momentos escolheu o silêncio. Não porque não tinha resposta. Tinha. Mas porque a paz que carregava dentro não dependia da aprovação de ninguém. Quem sabe quem é não vive tentando provar o próprio valor o tempo inteiro.

Mas esse mesmo Jesus também confrontou a hipocrisia dos fariseus. Expulsou os mercadores do templo. Chamou pecado pelo nome. E chorou diante do túmulo de Lázaro sem esconder as lágrimas. Não havia contradição nisso. Havia discernimento.

Existe um silêncio que nasce da cura. O silêncio de quem já não depende da validação dos outros para permanecer em paz. Mas existe outro silêncio que nasce do medo. O de quem apanhou tanto da vida, engoliu tanta dor e foi calado tantas vezes que já não consegue mais encontrar a própria voz.

São coisas muito diferentes.

Deus não está chamando ninguém para viver aprisionado, suportando abuso, violência ou humilhação como se isso fosse espiritualidade. Jesus silenciou diante de acusações injustas, mas nunca ficou em silêncio diante da maldade, da opressão e da hipocrisia.

Quem ainda está ferido por dentro sente necessidade de vencer toda discussão para se sentir inteiro. Mas quem encontrou paz de verdade entende que nem toda batalha merece sua energia.

A batalha continua existindo. Mas a necessidade de vencer o tempo inteiro desaparece.

Nem todo ataque merece resposta. Às vezes a maior prova de que você mudou não é o que você disse. É o que você escolheu não carregar adiante. É a palavra que você segurou. É a reação que você entregou a Deus.

Maturidade espiritual não é ter sempre a última palavra. É reconhecer quando Deus já falou por você. É conseguir permanecer em paz mesmo quando existem motivos de sobra para reagir.

Há pessoas que respondem a tudo porque ainda estão tentando sobreviver às próprias feridas. E há pessoas que aprenderam a descansar em Deus.

Isso não é resignação.

É cura.

 

 — Pastor Gustavo Lisita —